“Jungle Cruise” é o tipo de aventura divertida que parece ter sido esquecida por Hollywood


Uma estudiosa britânica viaja com seu irmão desajeitado para outro país à procura de uma antiga lenda local. Para sua decepção, o único capaz de guiá-la nessa expedição é um sujeito problema, de caráter duvidoso e assombrado por um passado que se recusa a deixá-lo em paz. Essa descrição poderia muito bem se encaixar no maravilhoso “A Múmia”, filme de 1999 dirigido por Stephen Sommers, mas é sobre o novo blockbuster da Disney dirigido por Jaume Collet-Serra, “Jungle Cruise”. Felizmente, as semelhanças não param por aí: como “A Múmia”, “Jungle Cruise” é um exemplar de aventura despretensiosa e divertida que parece ter sido esquecida por Hollywood nos últimos anos.

O longa soa muitas vezes como se Collet-Serra pegasse o trio principal de “A Múmia” e os levasse em uma expedição pela Amazônia, similar à jornada de “Z: A Cidade Perdida”. Apesar da similaridade na ambientação com o filme de James Gray, porém, o cineasta de origem espanhola tem interesses cinematográficos bem diferentes. “Jungle Cruise” não está preocupado com legado familiar, com a conquista do próprio destino, ou qualquer tema grandioso do tipo; aqui, o cineasta faz o que faz melhor, um filme que honra as tradições de seu gênero de forma rígida, mas moderna.

Jaume Collet-Serra (à direita) conversa com Dwayne Johnson e Emily Blunt no set

Se em “A Órfã” e em seu último filme, “O Passageiro”, Collet-Serra fez exemplares muito respeitosos de filmes de terror e ação, o diretor agora escolhe fazer uma aventura como pouco se vê no cinema multimilionário contemporâneo. O gênero é predominante do primeiro ao último quadro projetado na obra inspirada na atração do Walt Disney World. Chegamos, inclusive, a perceber como o roteiro de Michael Green, Glenn Ficarra e John Requa se esforça vez ou outra navegar por outros gêneros, como o romance, o terror e a ação, mas Collet-Serra sempre parece pronto para fazer tais inserções sem abandonar o espírito proposto de pura aventura.

Quando algum outro gênero é apresentado, entretanto, ele não sequestra “Jungle Cruise” para si, mas apenas aparece inserido dentro do contexto aventureiro. O romance surge de forma tão espontânea e simples que até pode soar rasteiro para alguns espectadores, mas defendo: é simples justamente porque assim como o drama, o terror e a ação, ele está lá à serviço da narrativa como um todo, e não para fazer da obra um monstro de Frankenstein de gêneros que não põe a âncora de sua jangada em nenhum lugar – como é o caso de tantos blockbusters contemporâneos que, na indecisão entre comédia, drama e etc., acabam não tendo tom algum. Tom é o que não falta no cinema de Collet-Serra.





Matheus Fiore

“Jungle Cruise” é o tipo de aventura divertida que parece ter sido esquecida por Hollywood

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