Funcionários da Activision Blizzard protestam contra mau gerenciamento de casos de assédio sexual na empresa


Centenas de funcionários da Activision Blizzard deixaram seus postos de trabalho na manhã desta quarta-feira (28) para protestar na sede do estúdio em Irvine, Califórnia, contra o gerenciamento de casos de assédio sexual e discriminação. A manifestação acontece sobretudo em decorrência de um processo do estado contra a empresa, aberto na última semana e que diz respeito à formação de uma cultura de fraternidade universitária em seus escritórios, com direito a mulheres sendo assediadas, humilhadas e recebendo salários menores.

A situação se expande para além do processo jurídico, porém. Depois da documentação submetida pelo Departamento de Trabalho Justo e Habitação da Califórnia apontar diferentes padrões de comportamento tóxicos e criminosos no ambiente corporativo da companhia, uma reportagem publicada hoje pelo Kotaku confirmou por fotos e capturas de tela parte considerável das acusações feitas a lideranças do estúdio, incluindo o desenvolvedor Alex Afrasiabi, citado nominalmente no processo, e a existência da “Cosby Suite”, quarto de hotel do mesmo funcionário que servia de “espaço de networking informal” durante a BlizzCon (convenção oficial da empresa) e “homenagem” ao comediante condenado por crimes de assédio sexual.

O caso de Afrasiabi elucida parte do quadro complexo de problemas que empesteia a Activision Blizzard. Presente na empresa entre 2004 e 2020 e indo de desenvolvedor a diretor criativo sênior de “World of Warcraft”, o executivo é acusado pelo processo de agredir e assediar funcionárias durante a BlizzCon, tanto dentro de seu quarto de hotel quanto à vista de colegas que incluíam até mesmo supervisores de seu trabalho.

A resposta da empresa às acusações também é motivo de insatisfação entre os funcionários. De acordo com o The Verge, uma carta escrita pelos manifestantes diz que a resposta dada pelo CEO Bobby Kotick “falha ao abordar elementos críticos que são centrais às preocupações” dos trabalhadores, embora estejam convencidos de que “conseguiram mudar o tom da liderança sobre suas comunicações” em torno do caso. A falta de resoluções para questões de diversidade na contratação e transparência para compensações salariais, porém, seguem motivos de crítica e preocupação entre os funcionários do estúdio.





Pedro Strazza

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