Cortes do apoio cultural da Petrobrás dão duro golpe nos principais festivais de cinema do país

Treze projetos culturais perderão o apoio da Petrobrás ainda em 2019. De acordo com a rádio CBN, o corte prejudicará entre outros eventos importantes os quatro principais festivais de cinema do país e da América Latina, a Mostra de São Paulo, o Festival do Rio, o Festival de Brasília e o Anima Mundi.

“A gente não está fazendo nenhuma renovação de patrocínio de cultura e esporte, em qualquer área. A gente não teve nem que ter critérios para fazer o corte, foi geral. A gente tinha lançado uma seleção pública na área de música em dezembro do ano passado e esse é o único patrocínio novo que está sendo feito, tanto para cultura, como para esporte” disse Diego Pila, representante da Petrobrás, em audiência da Comissão da Cultura que divulgou o fim dos patrocínios.

O corte impacta diretamente as produções culturais brasileiras, visto que estes festivais dependem fortemente do apoio financeiro para conseguirem reservar as salas, comprar os filmes, contratar a equipe profissional e por aí vai. O Festival do Rio já havia passado por uma redução brusca nos investimentos nos últimos anos, algo que resultou em uma redução em sua programação e, em 2018, no adiamento do festival. Tradicionalmente, o festival carioca acontecia em outubro e antes da Mostra de São Paulo, mas em 2019 foi empurrado para novembro.

Outro evento importante que será diretamente prejudicado pelo corte é o Prêmio da Música Brasileira, que recebeu R$ 2,5 milhões de patrocínio em 2018. A Casa do Choro do Rio de Janeiro e o Clube do Choro de Brasília também serão afetados.

Essa não é a primeira vez que a cultura sofre cortes pesados em 2019. Há menos de um mês e sob mando do Tribunal de Contas da União, a Ancine teve que interromper repasses de verba pública para o setor audiovisual, algo que prejudica imensamente toda a produção cinematográfica brasileira e tende a transformar nosso mercado de forma inédita.

Falando especificamente sobre os festivais de cinema, sua existência é importantíssima. São eles que permitem que o público tenha acesso a filmes das mais variadas origens e por preços acessíveis, até porque que geralmente as produções exibidas não chegam ao circuito comercial. Para muitos, eventos do porte de um Festival do Rio, um Anima Mundi e uma Mostra são a única oportunidade de assistir a produções importantes de todos os continentes.

Em um período no qual as principais redes de cinema dedicam a maioria de suas salas à projeção dos mesmos blockbusters milionários americanos, a perda de um espaço onde o público possa conhecer um cinema diferente, independente e até alternativo é no mínimo catastrófica para a cultura e, principalmente, do público.

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Silvio Girotto

Amante de redes sociais, comunicadores instantãneos e de Marketing Digital

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