Apesar dos clichês, “Falcão e o Soldado Invernal” abraça missão que se espera da Marvel


⚠️ AVISO: Contém SPOILERS do último episódio da temporada.

Com o lançamento de séries tão próximas produzidas pelo Marvel Studios e veiculadas no Disney+, fica quase impossível não se render à comparação dos materiais. Como espectadores, saímos do universo projetado para o escapismo pessoal do luto de “Wandavision” para encarar o debate de temas atuais e relevantes para a sociedade em “Falcão e o Soldado Invernal”. No entanto, se a primeira traz um formato diferenciado e criativo, a segunda abraça todos os clichês da Marvel numa espécie de “grande filme de 6 horas”.

Ainda assim, o que mais incomoda em “Falcão e o Soldado Invernal” é a necessidade insistente de ser tão didático com o público. Embora ninguém seja obrigado a ter o calendário de acontecimentos da MCU gravado na mente nem a ler informações nas entrelinhas, a necessidade de explicar cada passo de forma pedagógica tira a força de muitas cenas, o que acontece em absolutamente todos os seis episódios da série.

Kari Skogland (à esquerda) conversa com Sebastian Stan no set

A história se passa pouco mais de um ano depois dos acontecimentos de “Vingadores: Ultimato”. Sam Wilson (Anthony Mackie) e Bucky Barnes (Sebastian Stan) estão lidando com seus próprios conflitos enquanto o mundo tenta se adaptar à volta de metade da população mundial que ficou extinta por cinco anos.

Embora muitas tramas ainda sejam desenroladas, nem precisamos esperar o conflito principal para perceber que grande parte dos US$ 150 milhões de investimento na série foram usados para garantir um produto de ação “Marvel para TV” que não fica atrás das produções “Marvel para cinema”. A cena que abre a série com uma perseguição área de Sam a um grupo de sequestradores é mesmo digna de qualquer filme dos Vingadores. E é nessa toada de “Marvel de sempre” que a primeira metade de “Falcão e o Soldado Invernal” segue, pincelando um pouco dos conflitos realmente interessantes que serão abordados posteriormente.

A segunda metade da série é bem mais interessante, trazendo a complexidade de pensamentos e emoções que refletem o quanto a sociedade é labiríntica e longe de ser definida por dualidades de certo x errado, bem x mal. Por isso mesmo, os vilões da trama são tão bons, afinal, é difícil até mesmo defini-los como tal. Karli Morgenthau (Erin Kellyman), por exemplo, é a líder de um grupo antinacionalista que almeja uma integração mundial baseada no lema “um povo, um mundo”. No entanto, ela considera que esse ideal anarquista não pode ser conquistado de forma pacífica, o que abre espaço para dilemas morais e nossos próprios questionamentos e julgamentos sobre sua ideologia. Vale dizer aqui, que Karli foi uma ótima adaptação para Flag-Smasher, criado por Mark Gruenwald  e Paul Neary em meados dos anos 1980 para ser antagonista do Capitão América.





Soraia Alves

Apesar dos clichês, “Falcão e o Soldado Invernal” abraça missão que se espera da Marvel

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